17 de fev de 2013

Demasiado humano

A discussão sobre o assunto, a exposição de privacidade, a formação de guetos e o excesso de teoria sobre a liberdade... tudo isso me cansa demais. Evitando...

Doce e viril... eis Laerte Coutinho, um homem incrivelmente interessante.


Me lembrei do homem que conheci um dia. Achava que tinha 5 metros de altura, tinha certeza. Quando o conheci era absolutamente um homem, apenas. Um homem no Paraíso. Mas aquele Paraíso, não era prá mim...
O amor permanece.

20 de out de 2012

A cura de todos nós


La definizione della "malattia" è qualcosa che è "riservato" ai medici. Spesso usando parole che non comprendiamo e, soprattutto, toccando solo una parte della condizione umana, che è fatta di corpo, sì, ma anche di spirito e socialità. (...) Oppure pensate a Franco Basaglia e alla ridefinizione della condizione di "malattia mentale", e al significato filosofico, spirituale e sociale che ne consegue, riportando il "malato" alla vita, alla società. Pensatele applicate alla nostra condizione attuale, alla possibilità di ritornare a delle forme di dignità e di socialità umana basate sulla condivisione di idee e percorsi, sulla riappropriazione di uno stato di solidarietà sincero e attivo, dalle molte facce e modalità.

Questa è una CURA. E' la mia CURA OPEN SOURCE.
Questo è un invito a prendere parte alla CURA.
CURA, in diverse culture, vuol dire diverse cose.
Ci sono cure per il corpo, per lo spirito, per la comunicazione.


A internet possibilitou essa comunicação. A criatividade é divina, a forma como vemos a vida, o ser humano, a existência... O melhor entendimento de CURA que conheci vem do italiano Salvatore Iaconesi. Um cérebro pulsante, vivo, inteligentíssimo e poético. Que prazer poder compartilhar do seu dia a dia no meu dia a dia. E de quantas humanidades pode se fazer um ser humano?

23 de set de 2012

Em Setembro


Tinha cheiro de madeira e mar

tinha som de espuma

tinha todas as cores que cabem numa xícara de chá

tinha gosto de chuva e sal



 
Era agosto...

22 de set de 2012

Mulher Carne / Coisas Vivas



Laura Lima (Governador Valadares, MG, 1971). Graduada em Filosofia pela UERJ. Freqüentou a Escola de Artes Visuais do Parque Lage. Laura co-dirige com Ernesto Neto e Márcio Botner a galeria de arte “A Gentil Carioca”, no Rio de Janeiro desde 2003. “O que faço são construções poéticas”, conta Laura Lima. Que surgem organizadas e, aos poucos, vão se soltando de sistemas muito ordenados. São imagens que levam à percepção do espaço a partir de algo que ocorre

Os trabalhos mais conhecidos da artista são suas performances da série “Homem=carne/Mulher=carne” como, por exemplo, “O puxador”. Neste trabalho, um homem veste apenas uma mochila da qual saem cordas compridas que atravessam a janela e prendem-se em árvores externas ao espaço expositivo. Ele tenta, durante horas e com todas as suas forças, trazer a paisagem para dentro do espaço. Ações repetidas, exaustivas e de certa forma condenadas a não se realizarem são uma marca de sua produção. O fato de a artista não realizar ela mesma as suas performances revela uma parte importante de seu pensamento. Aqui não está mais em jogo a utilização do corpo do artista como suporte para obras de arte, tampouco se atribui a sua exibição no meio artístico algum poder de choque. Por causa do hibridismo de suas obras, desenvolveu um glossário próprio para defini-las.

Imagens – “Acredito no poder das imagens. Ideias nunca são claras. A imagem artística é um comprometimento do artista, que, consciente da história da arte, debruça-se sobre a arte e a história. E cria um tipo de conhecimento intrínseco, que não está submetido a nada. Nem à moral, à engenharia, à matemática, a nada. Ainda que estabeleça diálogo com tudo isso.
Filosofia – “Quem sai do curso de filosofia tende a caminhar para historia da filosofia. Preferi exercitar a filosofia no meu trabalho. Foi no curso que percebi que há estruturas diferentes de pensamento, que discutem um mesmo ponto: um saber intrínseco, a possibilidade de construir linguagem. Não faço obras a partir da filosofia, mas ela permeia todo o meu trabalho.”


Colecionador – “Ele pode ser um pensador que também cria linguagem com a sua coleção. Para tanto, precisa estar atento à dimensão de construção de linguagem que tem uma coleção de arte; ter sentido de responsabilidade histórica; ir abrindo possibilidades novas, à medida que vai construindo, com a visão dele da arte, aquele compêndio histórico.”

Carreira – “Sou profissional que faz perguntas sobre a arte e o sistema de arte, que se coloca também politicamente. Inclusive quando afirmo que um trabalho meu é colecionável. O mercado deve se transformar em função do trabalho do artista e não o contrário. Inhotim é uma instituição que faz isso. Ainda é uma exceção, mas espero que no futuro não seja. Já vejo outros museus no mesmo caminho.




11 de ago de 2012

Cor de batom


tá tudo ali

a saia de ar
o sofá listrado
luminária de estrelas
cama quente
esmalte flor do deserto
rosa 8ml
as velas, as flores, as cores
tá tudo ali
os gatos: macho e fêmea
a loucura, o destino e o desejo
a sorte
a morte
tantos anéis e brincos
tatuagens

tá tudo ali
estou quase cabendo

Ninguém




- Alguém já te disse que seus olhos são lindos?
- Ninguém foi você...

- Alguém já te disse que seus olhos são lindos?
- Porque viu?

- Alguém já te disse que seus olhos são lindos?
- Feche os seus...



9 de ago de 2012

relógio de hélio



todas as manhãs, acordando, eu nunca sei que dia é hoje
todas os dias eu desperto de 15 em 15 minutos.

num labirinto de cores, entre o céu e a terra
eu me perdi

5 de ago de 2012

Domingo



Saí com as unhas vermelhas para encontrar a sorte aos meus pés.
Nenhuma certeza e todo risco me ensinaram a abandoná-la sem culpa...
Angústia divina: o homem da paixão retorna de dentro de mim e me faz vomitar palavras, ter pesadelos em cinza e negro. Cabelos negros onde os meus começam a nascer brancos
"AFINAL, O QUE SABEM OS AÇOUGUEIROS SOBRE O AMOR" ?
O apático e o narcísico: meus amores extremos. É só nos extremos que eu amo. E só o amor me gera, histericamente...

Ainda posso levantar e sair a qualquer momento. E como um elástico voltar para minha casa, quente, colorida, cheia de mim.


21 de jul de 2012

...

Consegui meu equilíbrio cortejando a insanidade,
Tudo está perdido mas existem possibilidades.

sempre.

7 de fev de 2012

Desejando um desejo vizinhante, de uma fome irada e obsessiva?

Reidentificandome abstrata: a beleza é convulsiva, ou nao é.

"a beleza vibra de várias formas e ao avesso também
....essa fome irada, de quem não acredita em nada, é só uma forma dela...deusa da beleza reencarnada, se não fosse piegas que Pessoa não existisse dessa outra forma, o avesso da paixão desenfreada."
(Fao Carreira)


8 de jan de 2012

Body

Tanto tempo meu corpo me habitou que agora que o habito não sei o que fazer com ele.

15 de dez de 2011

Encontro


Uma vida inteira é muito tempo para o improviso.

2 de nov de 2011

Alergia


sete meses sem poder chorar

sete meses de lágrimas ácidas
em breve
mais uns 2 meses, por aí

vou nascer.

17 de out de 2011

Desencaixe

e a lágrima é ácida

10 de set de 2011

Funny Games

acho que ja comentei com você que era criança e ficava doente, meu pai dizia: o que voce fez pra ficar doente?
depois de um tempo minha mae aderiu também a essa pergunta
eu me pensava: o que eu fiz pra ficar doente?
mas nunca entendi mesmo essa pergunta
resultado: nunca mais fiquei doente
de uns meses pra cá tenho ficado doente como gente comum
ontem estava muito doente e pedi sua ajuda
você perguntou: o que voce fez pra ficar doente?
então pensei
não, NUNCA MAIS!
tenho endereço do hospital e dinheiro pro táxi, ja tenho quem me ajude
o suficiente

de noite fui escolher um filme prá assistir
abri o primeiro da lista e era: Funny Games de Michael Haneke, o cara da Fita Branca...
DESMORONEI A CHORAR COMPULSIVAMENTE POR UMA HORA
depois tirei aquilo da minha frente e assisti O Exorcista.

- Exorcizou o que precisava?

sim,
é isso.
nunca
mais.



11 de jul de 2011

Sir, i don´t understand


Um padre disse na televisão:
...você não pode separar a alma do corpo. Jamais pode separar tua alma do teu corpo!


Em tua beleza infinita
                        maldita
.........arde minha alma
inferno-corpo
benção divina

(foto: belo Gerald Thomas)

9 de jul de 2011

Sirvame


Não me ofereço

minhas carnes não cabem mais na tua bandeja

3 de jul de 2011

Videodro-me

vídeo: Doll Face de Andrew Huang (2005)

Assustador. Impulsos dolorosos impressos no rosto da mulher robô. A engrenagem se rompe. Meus olhos que não querem mais existir na pintura, que não querem mais ler, mais olhar, mais parar de lacrimejar. Olhos que não podem mais se maquiar...
Expressões sutis da face, afinal tudo tende ao humano, e, de humano à máscara, e de máscara ao reflexo de quem vê.
Quanto mais humana parece mais assustada permaneço.
"Narciso morre enquanto ele mesmo é máscara diante da facialidade sem rosto da televisão." (Marcia Tiburi em Olho de Vidro)

Quanto mais me aproximo, mais confusa é tua imagem...
Sempre tive medo de palhaços.........e pavor de máquinas.

Transfer



Colei em mim flores de tinta
unhas de plástico
cílios postiços
Descolei você.

O que mais dura prá sempre?

Código de barras

Quando comecei a procurar
já era tarde
tarde da noite sem luz
cuspindo moedas de ouro pelos postes
nas ruas vazias do meu mapa.


Quanto vale a minha busca?

19 de jun de 2011

Feliz aniversário prá mim... my song


I Don't Want To Be
Gavin Degraw

I don't need to be anything other than a prison guard's son
I don't need to be anything other than a specialist's son
I don't have to be anyone other than a birth of two souls in one
Part of where I'm going is knowing where I'm coming from
I don't wanna be anything other than what I've been trying to be lately
All I have to do is think in me and I have peace of mind
I'm tired of looking 'round rooms wondering what I gotta do
Or who I'm supposed to be
I don't wanna be anything other than me
I'm surrounded by liars everywhere I turn
I'm surrounded by imposters everywhere I turn
I'm surrounded by a identity crisis everywhere I turn
Am I the only one to notice?
I can't be the only one who's learned
Can I have everyone's attention please
See, not like this and that
You're gonna have to leave
I came from the mountain, the crust of creation
My whole situation made from clay to stone

29 de mai de 2011

Inquieto


Indiferente a qualquer questão, genialidade às vezes é indiscutível.
A foto está no blog de Gerald Thomas, e as unhas parecem mesmo ser dele. O trecho de texto também.

"The world of idiots: ashamed part 2.
(...)

PS: happy as hell that Dominique Strauss Kahn was granted bail yesterday in NYC."

14 de mai de 2011

Depois de um tempo em auto mar, descobri
definitivamente
não sou uma pessoa de terra firme.

3 de mar de 2011

No espelho


Uma mulher mata a filha do amante com o cadarço do tênis dela. Vingança.
E toda uma imprensa faz o papel de psiquiatra, juiz, analista de comportamento, advogado, médico, pai e mãe.
É incrível como a sociedade que cria a loucura a expele como se fosse alheia. O próximo passo pode ser a afirmação de que todo adultério será punido por um infanticídio. É nojento pensar que esse tipo de coisa vem de gente que se diz jornalista, psiquiatra, conselheiro, macumbeiro, advogado e cuidador da moral e dos bons costumes.

Ainda lendo Admirável Mundo Novo de Aldous Huxley e cada vez mais apaixonada pelo livro e pela forma poética como Huxley escreve, comecei a pensar sobre esse futuro higiênico que o autor previa em 1932.
"Estabilidade. Não há civilização sem estabilidade social. Não há estabilidade social sem estabilidade individual".
O buraco é bem mais embaixo, mas porque deixar a confortável superfície, onde o outro, que é diferente de mim, é capaz das maiores bestialidades.
Pois é... o ser humano é mau. A civilização é um alívio adaptativo, embora nem todos se adaptem...
Kadafi enlouquece em palcos públicos na Líbia. Berlusconi brinca de coronel na Itália. E os bispos que se proliferam mais do que lixo na enchente, gritam o que está certo e errado pra canais de televisão.
Sim, a perversão existe, e é humana... Muitas pessoas são perversas, muitas... Impor a Lei é uma alternativa? Não acredito nisso. Usar como emblema para mais manipulação religiosa, política e moral, é a opção adotada e a mais perigosa.

Ao mesmo tempo que a perversão da amante é desconsiderada como humana (e sombria), a depressão do professor que prestou concurso para exercer como concursado (lê-se, com os direitos que lhe cabem) a função que já exerce há mais de 10 anos, é super valorizada. O professor é considerado inapto para exercer a função, pois teve um quadro depressivo na vida. Algum médico do trabalho atestou a insanidade, e deve ter assinado isso. Mas este está protegido, junto com os Kadafis, os Berlusconis e os pastores pelo poder que tem sua merda de assinatura.

pág. 78 do Admirável Mundo Novo:
"Nosso Ford - ou nosso Freud, como, por alguma razão inescrutável, preferia ser chamado sempre que se tratava de assuntos psicológicos - Nosso Freud foi o primeiro a revelar os perigos espantosos da vida familiar. O mundo estava cheio de pais - e, em consequência, cheio de aflição; cheio de mães - e, portanto, cheio de toda espécie de perversões, desde o sadismo até a castidade; cheio de irmãos e irmãs, de tios e tias - cheio de loucura e suicídio."

1 de mar de 2011

Greta Benitez


Em uma briga de egos virtual e alheia, descobri Greta Benitez. Li um pouco de sua poesia e amei, amor a primeira leitura.

Em entrevista concedida a Rodrigo de Souza Leão para o site Balacobaco:

O que é ser uma garota com idéias bizarras?

Na verdade, isso é um jeito charmoso de expor a minha eterna inadequação. O que foi causa de sofrimento na infância, começou a ser motivo de orgulho na adolescência e que hoje eu administro. Sempre eu: aquela que não gostava das mesmas coisas que os colegas, aquela que via beleza onde os outros viam terror, aquela que percebia desgraça onde os outros só viam ridículo. E sempre aquele olhar crítico. Aquela "desconfiança" no bom sentido. Quando diziam: "Ah, porque fulano é péssimo". Eu: "Será mesmo? Deixe eu ver" Nunca aceitei idéias preconcebidas.

Bastante familiar...

Para que serve a poesia?
Para enfeitar um momento. Fazer um domingo menos chato. Consolar uma pessoa que sofre. E para promover deslumbramentos que nenhuma droga é capaz.

Greta Benitez tem uma poesia essencialmente feminina, lúdica, imagética e bela.
Faz tempo eu procurava algo semelhante ao que escreve Sophie Calle, achei! Agora boa leitura prá mim.

27 de fev de 2011

Dois filmes, uma história


Ontem assisti O Último Tango em Paris (Ultimo Tango a Parigi; francês de 1972, dirigido por Bernardo Bertolucci e estrelado por Marlon Brando e Maria Schneider). O filme parece ter 4h, tudo é extremamente cansativo, não chega a ser pesado, é cansativo mesmo. Como se fosse um filme feito prá ser poético mas que fica o tempo todo atingir uma poesia que nunca chega, e você espera junto, torce junto, deseja junto com Bertolucci que aquilo seja belo. A cena de Brando velando a esposa morta é bonita. Schneider e Brando são excelentes atores, comoventes. A cena da dança mortífera de ambos no concurso de tango é primorosa.
Tinha ouvido falar, lido sobre o filme. Talvez demorei demais prá ver. Estou tentando achar algo que justifique tudo que eu sabia dele, mas não acho. O encarte do DVD diz: "exalando uma energia sexual como nenhum outro filme antes ou depois dele". Não senti isso. De sexual o filme não me diz quase nada, não quero ser indelicada. Talvez em 1972, quando nem nascida eu era... mas arte é eterna, não diz nada. O filme, que pelo que sei tem a ver com um desejo de Bertolucci de trepar com uma desconhecida que viu não sei aonde, é uma tremenda fantasia masculina. Um homem com uma próstata maior do que uma bola de tênis (Brando diz mais ou menos isso no filme), copula com o vazio munido de dor intensa de uma mulher linda e jovem. E quando acaba o delírio histérico da jovem linda, acredita, de fato, que aquilo possa ser real, e começar novamente. Me parece o típico conto de fadas masculino dos anos 70, do qual alguns homens se nutrem diariamente ainda, todos os dias...
A história de Maria Schneider (Paris, 27 de março de 1952 - Paris, 3 de fevereiro de 2011) sim, é algo que realmente faz sentido nesse filme: “Se eu pudesse voltar no tempo, teria dito não. Teria feito meu trabalho gradualmente, discretamente. Eu teria sido uma atriz, mas de maneira mais tranqüila".
Ela diz isso em uma entrevista concedida para um jornal inglês chamado Telegraph. Segue a impressão do jornalista:
“Aos 54 anos, ela tem o mesmo rosto de menina e brilhantes horas negros, os mesmos lábios rosados e macios e mesmos os cachos de cabelo castanho. Mas Schneider tem as rugas e a pele de uma fumante inveterada. Sua camisa branca masculina está abotoada até o pescoço e as mangas longas cobrem seus pulsos. Eu não posso evitar o pensamento de que ela esconde as cicatrizes de seus anos como drogada”, escreve o jornalista do “Telegraph”.

Maria morreu culpada. Como se sua nudez, seu corpo, sua sexualidade e sua feminilidade estivessem maculadas pelo lobo mau Bertolucci e papai Brando para todo sempre.
Penso que olhar sua nudez no filme tenha sido penoso com os anos, pois Maria aparece em nú frontal o tempo todo, linda, com belíssimos seios e abundantes pelos pubianos. Enquanto Brando consegue fazer sexo anal com a moça sem sequer afrouxar a calça. É um malabarista do pau no zíper. E só mostra a bundinha da cena do tango, de forma irônica, pois somente o corpo jovem e feminino de Maria pode ser sensual e desejável. Brando é prá se rir, ou chorar... Bertolucci, com toda sua virilidade-arte nem desconfia que o belo pau do lobo mau, que fazia Maria "tão feliz", também gostaria de ser olhado e maculado prá sempre.

Filme que me causou verdadeiro impacto, Cisne Negro (Black Swan, 201, sob a direção de Darren Aronofsky, com Natalie Portman e Vincent Cassel), revela os caminhos tortuosos da construção do feminino, contrastando a falta de delicadeza (que é belíssima) de Aronofsky, com a docilidade dramática do ballee a beleza de Portman.  

Lago dos Cisnes  é um balé dramático em quatro atos do compositor russo Tchaikovsky:
Ato I: O Príncipe Siegfried enfeitiçado pela beleza dos Cisnes Brancos, caçá-los.
Ato II: O lago do bosque e as suas margens pertencem ao reino do mago Rothbart, que domina a princesa Odette e todo o seu séquito sob a forma de uma ave de rapina. Rothbart transformou Odette e as suas donzelas em cisnes, e só à noite lhes permite recuperarem a aparência humana. A princesa só poderá ser libertada por um homem que ame apenas ela. Siegfried louco de paixão pela princesa das cisnes, jura que será ele a quebrar o feitiço do mago.
Ato III: Na corte da Rainha aparece  Odile a feiticeira Odile. A dança com o cisne negro decide a sorte do principe e da sua amada Odette: enfeitiçado por Odile, Siegfried proclama que escolheu Odile como sua bela futura esposa, quebrando assim o juramento feito a Odette.
Ato IV:  Siegfried explica a donzela como o mago Rothbart e a feiticeira Odile o enganaram. Odette perdoa o príncipe e os dois renovam os votos de amor um pelo o outro. O mago Rothbart, impotente contra esse amor, decide se vingar dos dois e então inunda as margens do lago, Odette e as suas donzelas logo se transformam em cisnes novamente e o príncipe Siegfried tomado pelo desespero se afoga nas profundas e turbulentas águas do lago dos cisnes. O príncipe não sobrevive. É a morte de amor.

Incapaz de aceitar que o tornar-se mulher depende de um certo caminho entre a pureza e a escuridão dos desejos, Maria não consegue transitar e Nina se aprisiona prá sempre. Não existem canalhas nem culpados. Thomas, Bernardo e Marlon são apenas homens necessários. A vitimização é uma forma de aceitar a culpa por ser mulher. É a morte do amor de verdade.

Cisne Negro é um filme lindo, com uma espetacular visão da feminilidade feita por um homem, interessante homem. O último tango... é um filme triste, sem arte, sufocado pelo próprio tempo. Bertolucci e sua fantasia, esqueceu-se da beleza que existe no sexo. Quanto a cena da manteiga... queria ver é sem manteiga, aí sim coisa de macho, no seco, como no filme da Bruna Surfistinha (assim me contou o escritor Marcelo Mirisola, eu não vi e não vou ver o filme).

Quanto a Bruna, que é Raquel, e que chama Bruna de "a Criatura", como se fosse outra pessoa... também ainda não encontrou seu Cisne Cinza.


25 de jan de 2011

Mens insana in corpore insepulto

Vivo
(Lenine/Carlos Rennó)
Precário, provisório, perecível;
Falível, transitório, transitivo;
Efêmero, fugaz e passageiro
Eis aqui um vivo, eis aqui um vivo!
Impuro, imperfeito, impermanente;
Incerto, incompleto, inconstante;
Instável, variável, defectivo
Eis aqui um vivo, eis aqui...
Não feito, não perfeito, não completo;
Não satisfeito nunca, não contente;
Não acabado, não definitivo
Eis aqui um vivo, eis-me aqui.
(e apesar...)

22 de jan de 2011

quando o reflexo do drama humano não reflete

O cinema é a única arte que me faz interromper a vida por segundos, é uma pausa, como uma suspensão. Talvez por isso preciso de doses semanais.
Recentemente assisti a 3 filmes: Tetro, Você vai conhecer o homem dos seus sonhos (You Will Meet a Tall Dark Stranger) e Além da Vida (Hereafter). Algo muito estranho está acontecendo, ou comigo ou com o mundo ou com os 2.
Amo o trabalho de Vincent Gallo, tenho adoração pela sutileza da visão do trágico de Clint Eastwood, que considero o melhor diretor de cinema de todos os tempos (acho mesmo) e Woody Allen traduz a minha visão do mundo. Mas... o que houve? Eu estou envelhecendo e me distanciando aos poucos do mundo ou esses 3 filmes estão retratando algo do qual não consigo mais me identificar. Sim, porque existe tela mais projetiva do que o cinema? Me recuso a acreditar que os 3 filmes falam sobre o nada...
Tetro é um filme lindo de se ver, sobre uma história que conheço faz tempo e que possui uma relação pessoal comigo. Mas não foi bem contada. Tive a impressão de uma linda história mal contada, foi isso. Não fosse Gallo para arrebatar qualquer situação com a poesia de seu olhar, nada teria valido a pena. Em Você vai conhecer... passam-se horas de nada, de coisa alguma, de obviedades sem sentido. Salvo talvez pela cena em que Naomi Watts revela sua trágica questão pessoal confundida com paixão pelo chefe Antonio Banderas. E Além da Vida, o mais triste. O último filme que vi de Eastwood foi Gran Torino, um dos filmes que mais gosto. Talvez tenha agora criado muitas expectativas. Confesso que tenho verdadeiro ódio dos filmes "espíritas" que no Brasil, viraram mais uma alternativa para o dízimo. Mas Eastwood falando sobre isso? A velhice e a próximidade da morte talvez me responda quando eu chegar lá. Clint com seus 80 anos me fez refletir com este filme que depois de um tempo grande de vida nos tornamos meio místicos, seja lá quem formos, como ensinou Jung. Se algo se salvou foi a excelente atuação de Matt Damon, que me lembrou por diversas vezes que o filme era sim de Eastwood.

Depois de um tempo os reflexos, as identificações e os impactos que as coisas causam, acabam se misturando demais com a realidade. Estou envelhecendo... Um dia, alguém, quem sabe eu, deveria escrever algo sobre os olhos de Vincent Gallo.  ...allo specchio sempre lo stesso sconosciuto...


31 de dez de 2010

e para 2011...

novas paisagens,
mais mar,
lindos olhos prá olhar,
viagens intensas ao interior,
nenhuma reciprocidade do abismo
mais silêncio do lado de dentro,
mais sorrisos com meus gatos
serinidade...
novas possibilidades.


Amor para os amigos e amor para mim,
que seja bom e lindo!

26 de dez de 2010

Prestes a...

As vezes parece que me foi destinado percorrer um único caminho na vida. Em determinado ponto ele sempre retorna ao mesmo início, quando não paro em qualquer momento e permaneço. Avanço um pouco mais a cada vez que inicio novamente, e novamente, e novamente...
Mas retorno ao mesmo ponto.
Seria o final ver até onde mais longe chego?
A cada novo início, já conheço os lugares que passei anteriormente, já sei, mas eles estão um pouco diferentes, e ainda saberei mais, e mesmo assim, que difícil passagem.

Se tornar adulta é o trabalho de uma vida inteira. Talvez na velhice se desista...

12 de dez de 2010

O diabo é deus de folga



Terminei de ler em 3 dias o livro: "50 anos a mil", autobiografia do Lobão.
Apesar de muitos anos nos separar, revi minha infência no Rio de Janeiro e minha adolescência, já tão influenciada por esse cara. A leitura foi deliciosa, morri de rir umas 3 vezes, foi encantadora, descobri um bom escritor. Foi desconcertante, ler uma pessoa falar de vida e morte com o mesmo tom. Foi apaixonante, mais do que poderia esperar.
Namorei o livro na Livraria Cultura mas decidi não comprá-lo, porque achei MUITO caro. Um dia depois ganhei de uma amiga: "Olha isso, é a tua cara!" Livro pesado, 590 páginas, "... passarei os próximos 4 anos às voltas com minha precariedade, minha coverdia ... minhas descobertas." Não. Passou toda uma vida. E assim, esse cara, o Lobão me recorda que infelizmente, estamos em tempos onde o comandante nascimento é o herói nacional (com todo alto teor de ignorância das mais precárias e articuladas que vem na bula desse nojo deTropa de Elite, junto com seu personagem principal).
 Mas isso não vale a pena. Junto com Lobo, também cresci, e confesso que as músicas e letras do seu universo paralelo são mais bonitas. Me pareceu uma transição necessária e natural, algo como uma mudança do traje de algemas na cintura para  sua própria pele. Difícil e corajosa empreitada, que todos, sem excessão, uma hora ou outra da vida, percorremos. O rock, nunca erra...

Já escrevi algo aqui sobre Lobão, uma poesia em forma de música, como muitas que ele faz. O bom de um espaço virtual chamado blog, é a falta de pretenção e a arrogância de imaginar que se pode falar com o... nada. Aqui, é possível dizer com IMENSO respeito pra ele: Cara, Lobão, obrigada! Você é o meu herói. Herói traidor, que diz e des-diz, que encanta e desencanta, que se procura e se acha, que erra, falha e ri, de forma absolutamente genial. O cara da minha históra, que  um dia acaba descobrindo que avida é doce. Que seja muito doce prá você Lobão!!!

28 de nov de 2010

René Magritte e Eric Satie - eterno fascínio

Em todo fascínio existe muita identificação.

My painting is visible images which conceal nothing; they evoke mystery and, indeed, when one sees one of my pictures, one asks oneself this simple question 'What does that mean'? It does not mean anything, because mystery means nothing either, it is unknowable." Magritte



  

Em 1898, Eric Satie deixou Montmartre e se mudou para um modesto quarto na Rue Cauchy, 22, em Arcueil, subúrbio industrial de Paris, onde morou pelo resto de sua vida. Caminhava nove quilômetros todos os dias para ir tocar em Montmartre.


20 de nov de 2010

Everybody lies...


Trabalho. A cada dia penso em uma forma de distancia dele. E numa dessas reflexões, pensei... daqui a milhares de anos, as coisas nas quais nos transformaremos irão rir muito da forma como trabalhamos hoje. Seremos motivo de piada do tipo pré-histórica, ou piedade nostálgica. O que leva um dono de firma acreditar que seu fun-cionário trabalha 44 horas semanais?
E pior, o que leva alguém achar que isso é a vida?
Juro que procurei o Domênico de Masi, mas não consigo entender, por conta da minha total ignorância sociológica, se ele está teorizando, pensando mesmo no assunto ou se é uma espécie de Paulo Coelho da sociologia. Mas a expressão ócio criativo é filiada a esse cara (em italiano fica bem mais bonito e significativo...hehehe). Diz o signore: "...é necessário aprender que o trabalho não é tudo na vida e que existem outros grandes valores...". Mas eu ainda estou tentando insistir comigo mesmo que é necessário trabalhar!
Trabalhamos de forma primitiva, peças de uma engrenagem que funciona perfeitamente sem qualquer um de nós, trabalho sem nenhum sentido, ou com um único objetivo: dinheiro. O problema é antropofágico, canibalístico. Ganhamos dinheiro pra comprar roupa prá ir trabalhar, prá pagar viagem e esquecer do trabalho. Ou seja, o maldito ainda está no umbigo do mundo, quando deveria ser consequência é causa.
Bruno Gawryszewski, um autor interessantíssimo que descobri na internet em pleno momento de ócio em meu trabalho, fala muito no ócio oportunidade de consumo. Idéia bastante sagaz, já que tudo e todos são mercadoria. Bruno fala da visão cristã do ócio como algo ligado a pecado, pai de todos os vícios, preguiça, algo maléfico... cabeça vazia, oficina do diabo...
Em entrevistas para vagas de emprego (essas sim, um verdadeiro stand up comedy), se pergunta o que o candidato faz nas horas livres, ou o que gosta de fazer como lazer. Bem, fazer é verbo, é ação e tempo livre é o que sobrou, o resto. Eu gosto de fazer nada. Mas acredito que seria desclassificada de meu stand up se desse essa resposta. Então começa o show de mentiras, pilares que sustentam esse momento social, e com os quais nossas futuras gerações irão se divertir. Afinal, o gênio Dr. House já dizia: everybody lies...
Mas em qual tempo refletimos sobre o nada, sobre nossas necessidades psíquicas, sobre nossas vontades humanas, sobre nossas questões existenciais e sobre a cor daquela flor? E quem consegue ser feliz sem isso? Eu não.
A palavra ócio deriva do latim otium e significa o fruto das horas "livres", do descanso, uma ocupação prazeiroza. E que beleza tem a etimologia, ela, neste caso, nos leva a: liberdade, descanso, frutos, prazer.
Essa geração de donos de firma, viciados em trabalho e gente que professa essa, só tem dado gente estragada, desequilibrada, doente, cheia de verdade... ou seja, gente muito da chata! E pior, quando essa gente para, desliga... entra em curto.As famosas frases: não consigo ficar sem fazer nada, estou aqui para trabalhar, ele é vagabundo; são sintomas desse comportamento trabofóbico. São, em geral, pessoas muito limitadas em suas experiências subjetivas, e nem sabem disso. A vida é assim, mecânica assim. E isso é tão sério, que a maioria das pessoas acha normal trabalhar 44 horas por semana, 9 horas por dia em atividades obrigatórias... normal, é a vida. E até geram falsos sentidos para isso, esvaziados de experiência subjetiva, mas repletos de teorias de auto-ajuda. Aliás, não é a toa que nesta esfera do trabalho, se proliferam livros e autores de help yourself.
O fato é que criação escapa. Mesmo sufocada, escapa. Ela não tolera jaulas, grades, nem cartões de ponto. A arte resiste, insiste e tem "pressa" em mim.

9 de out de 2010

O Tylenol e o trabalho


Num desses dias onde a dor de cabeça crônica me tomou a tarde, fiz a grande descoberta: a coisa mais capitalista do mundo capitalista é o Tylenol. O Tylenol é como um cala a boca prá quando seu corpo não consegue maisolhar hipnotizado a tela de um computador, vendo coisinhas que se parecem letras formar frases descoladas da realidade, da ética e da inteligência básica. Ele faz passar... em minutos você está pronto prá voltar a produzir mais sandices para o mundo coorporativo. Deviam colocar Tylenol nas caixas d´água das grandes empresas... Até por que percebi também se tratar de uma dor coletiva, assombrosa, aterrorizantemente transparente, quase imperceptível.
Em uma dessas tarde repletas de Tylenol comecei a ler Giorgio Agamben. Giorgio Agamben nasceu em Roma, em 1942.  Formado em Direito, escreveu uma tese de doutorado sobre o pensamento político de Simone Weil.  É exaluno de Heidegger e o responsável pela edição italiana da obra de Walter Benjamin. Leciona Estética na Facoltá Di Design e Arte em IUAV em Veneza. Sim, um pensador que não é americano, ou alemão, ou... é um homem italiano! (Que bom, assim consigo ler com mais prazer...).
Agamben analisa o mundo globalizado, Um mundo desbussolado onde surgem novas figuras que acabam ficando à margem da sociedade e do direito e sobre o que é o agir político no mundo atual; um mundo que, politicamente, encontra-se bastante próximo do modelo dos campos de concentração de Auschwitz. Que atua sobre os não sujeitos, isto é, sobre aqueles que são privados de seus direitos, e eu diria, de sua liberdade. Liberdade na minha adolescência, era uma escolha sartreana. Hoje atolada com minhas 44h semanais, tá mais pra um verso do Mano Brawn que vivo cantarolando à minha moda: "... mais um dia, sob o olhar nauseante do vigia..."
E então, diante da minha náusea tylenoliana, voto em branco pela primeira vez desde meus 18 anos, o Estado, a Empresa, a Religião, a Família... tudo perdeu sua cor... é a cegueira branca.
O status de transgressão então pode ser então, tanto controle por meio da excessão de Agamben quanto um ato  revolução. Em branco, pelo que lutar? Ou pelo texto da Maria Rita Kehl? Talvez pelo direito de emendar o feriadão...

De frente prá o real precisamos lutar para que algo transgrida a Lei, para que se instaure simbolicamente de outra forma. Sair da forma, sair da norma, criar mais que necessidade: desejo, algo individuo al... só no singular pode-se questionar a regra em nome de alguém. Um passivoTylenol me fez perceber o sintoma: a ponta dolorosa do meu iceberg. Prá isso tem o Prozac, ou até, o Viagra...

7 de set de 2010

O mundo inteiro estremece, o caos acontece e nao poupa ninguém...



Mudei de cara, de cabelo e de opinião.
Voltei a pensar muitas coisas de quando tinha 18 anos, e... outras que nunca havia pensado antes.
E o que se perde, e o que se ganha? O que sei é que ciência prá mim é isso: 5 macacos, uma escada e um caixo de bananas em cima da escada. Toda vez que um macaco tenta subir para pegas bananas, os outros recebem uma ducha de água fria. Depois de um tempo os macacos agridem os que tentam subir, depois de mais tempo e trocas de macacos eles se batem e nem sabem o motivo. E os saguis de Caio Fernando Abreu.... esses se devoraram. Assim me sinto, rodeada de coisas que pensam, ou que não - existem. Ficam numa merda de existência pegajosa, rastejando em torno de uma luz elétrica dentro de uma cabaninha na porta do mar. Dei um chega nisso.
Assim, mudanças por toda parte, a partir de hoje também aqui...

"Creio que aqueles que mais entendem de felicidade são as borboletas e as bolhas de sabão. Ver girar essas pequenas almas leves, loucas, graciosas e que se movem é o que, de mim, arrancam lágrimas e canções. Eu só poderia acreditar em um Deus que soubesse dançar. E quando vi meu demônio, pareceu-me sério, grave, profundo, solene. Era o espírito da gravidade. ele é que faz cair todas as coisas. Não é com ira, mas com riso que se mata. Coragem! Vamos matar o espírito da gravidade! Eu aprendi a andar. Desde então, passei por mim a correr. Eu aprendi a voar. Desde então, não quero que me empurrem para mudar de lugar. Agora sou leve, agora vôo, agora vejo por baixo de mim mesmo, agora um Deus dança em mim!"
Friedrich Nietszche em  Gaia Ciência

22 de ago de 2010

Senhas


Faz algum tempo tenho me debruçado literalmente nos trabalhos de artistas: Ana Mendieta, Carolee Schneemann, Michel Journiac, Gina Pane, Pollock, Marina Abramovick, Frida Kalo, Orlan, Joshua Hoffine. Também andei lendo Julia Kristeva, Grusberg e sempre Freud.. A questão é a da intenção artística A pergunta inicial, lá em 2005 foi: “não tem arte na sua vida?”, vinda de um pintor/poeta italiano. Essa não é uma pergunta ingênua. Ela questionou minha linguagem, minha forma de integração no mundo, meu corpo. A beleza... a beleza onde estaria? Para Platão na manifestação do bem, para Aristóteles na simetria, para Hegel no verdadeiro, para Kant no que agrada universalmente, para Orlan, na resistência, no desafio do a prioris, na desordem do pensamento, fora das normas, fora da lei, fora do nosso conforto. No abjeto? No caos? Onde?
Para  Kristeva, abjeção é o que perturba a identidade, o sistema, a ordem. Cabe a arte transformar o material rejeitado pela sociedade e integrá-lo novamente (já um outro)?

Essa quebra de conforto baliza agora minha secreta construção de mundo.

Freud: “O estranho é aquilo que deriva seu terror não de algo externo ou desconhecido, mas de algo estranhamente familiar que supera quaisquer esforços do indivíduo para se separar dele. O estranho é o familiar que se torna estrangeiro.” (1919)

24 de jul de 2010

Hey babe, take a walk on the wild side...


Em Machado de Assis: "Cada criatura humana traz duas almas consigo: uma que olha de dentro para fora, outra de fora para dentro..." (O Espelho)

Quando Eistein disse que a realidade é meramente uma  ilusão, eu não era nascida. Quando Lacan veio com a idéia de que a realidade é para aqueles que não podem suportar o sonho, eu já tinha despertado, felizmente... Quando li, o caos já existia, e os anjos também.  Tem coisas que não se pode imaginar, a menos haja algum contato, mas qual? Qualquer desarranjo pode ser também um sacrifício pela construçao. Qualquer desconstrução, um bocejo que permita respirar. O fascínio está entre o que transgride e o alento. O ruído da dualidade sempre produz um som que faça eco. O espaço das falhas também é o da marca, da identidade. Só é possível haver poesia no estranhamento.
Hora de olhar para dentro...

18 de jul de 2010

Durante, quase liberta



"quem tem olhos prá ver o tempo soprando sulcos na pele
eu parei de lutar contra o tempo
ando exercendo instantes
acho que ganhei presença"
(Poemas Tempo - Viviane Mosé)
...
tempo, se você tem que me comer, que seja olhando nos meus olhos e de frente...

No durante, anda a vida, a passos largos, muitas vezes inalcansáveis, que se atropelam.
A menina, hoje uma boneca viva. Com licença prá poder ser quem queria a 20 anos atrás.
Mas... ainda há tempo... para um esmalte negro com estrelas brilhantes que parecem a noite.
A ausência está sempre em quem fica, não em quem vai...


"Mas tem coisa boa: você também não tem mais saco para mentir 1) para os outros; 2) para si próprio. Nem saco, nem tempo, nem interesse nessa merda toda. (...)
Sabedoria, no god, ninguém está interessado, (...) Cultura definitivamente, no god, não dá ibope...
Outra: não vou ficar aqui repetindo todos aqueles clichês que você ouve dia e noite há milênios sobre morte, velhice, declínio, porque a idéia é abrir caminho em direção a algo novo, algo que nem eu nem você nem ninguém sabe ainda, e a via de acesso seria a proposta de uma poética da maturidade que evoluísse – como se isso fosse possível – na corda bamba entre o sublime e o ridículo. Não. Pode ser feito."
(Por uma estética da Maturidade - Marcia Denser)



10 de jul de 2010

Tudo pode acontecer


Antes: "Um dia você nasce e olha ao seu redor com um olhar malvado e rancoroso, próprio de um ser inocente e inexperiente. Você descobre que não quer ser engenheiro, nem médico, nem advogado. Nem se sente atraído por trabalhar na Agência de Correios da sua cidade. Também não é louco pela idéia de se tornar lavrador. Você descobre, e não é sem dor, que é diferente." Almodóvar

O filme Tudo pode dar certo de Woddy Allen fala de possibilidades, principalmente da possibilidade de ser. O sentido está sempre no durante. Ser é estar, pelo menos no português da minha língua.
Estou entre.
Entre o antes e o depois...


Depois: "Organizamos a vida a partir de ideias de outros. Não estamos nunca prontos pra viver a nossa própria vida. Até que ela nos surpreende e, sem preconceitos, podemos até ter aquela sensação de sentido das coisas à qual chamamos pelo nome de felicidade." Márcia Tiburi

27 de jun de 2010

Felicidade prá mim


"...as certezas são pequenas, que o amor é grande, que a vida é maior ainda. Maior do que nós, mas que esquecemos disso porque somos escravos de certezas. Escravos de teorias, de respostas, de ideologias. Organizamos a vida a partir de ideias de outros. Não estamos nunca prontos pra viver a nossa própria vida. Até que ela nos surpreende e, sem preconceitos, podemos até ter aquela sensação de sentido das coisas à qual chamamos pelo nome de felicidade."               
 Marcia Tiburi

22 de mai de 2010

Na via de mão tripla: a poesia...sempre há...


Crua (Otto)

Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Há sempre um lado que pese e um outro lado que flutua. Tua pele é crua.
Dificilmente se arranca lembrança, lembrança, lembrança, lembrança...
Por isso da primeira vez dói, por isso não se esqueça: dói.
E ter que acreditar num caso sério e na melancolia que dizia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia. fodia.
Mas naquela noite que eu chamei você fodia de noite e de dia.


8 de mai de 2010

Ve...ro!


Este homem interessante, Vasco Rossi, fez (junto com G.Elmi, T.Ferro), uma belíssima poesia musicada.
Come Stai? Estas são palavras que fazem refletir sobre seu lugar no mundo e as possibilidades que isso contém. Como ser eu sem deixar-me abandonado de mim. Como sustentar o que sou, visto que está posto. Como e para que descobrir tudo isso. Talvez, para encontrar seu para...i...so particular. Sim, extamente isso. Se destacar do lugar comum tem um preço sim, mas o que não está etiquetado? O valor está em viver honestamente, como... quer. Tocar na coisa comum só por momentos de reicidência. Não se sentir só por ser quem se é, o que todo mundo sabe, mas nem todo mundo pode dizer.

Trata-se de traduzir-se, descobrir sua própria linguagem é traduzir a si mesmo, e leva quase uma vida. E quando a palavra se confunde com você surge uma língua inconsciente, tão bela quanto enigmática: o nome dela é verdade. A tua verdade... Verdade e engano se complementam.
"A verdade jamais é dada. A boa vontade, que acolhe o dado enquanto tal, abriga-se na quietude e na miopia da certeza. O dado não provoca a inteligência, aplaca-a." (Garcia Roza)


Come Stai: (a tradução é minha)

 
Forse non lo dici
Però lo fai
E questo non è onesto
...vero
forse non lo dici
però lo sai
e non andrai in para...
...diso
forse non lo dici
però lo fai
e questo non è mica
...beello
forse non lo dici
però lo sai
e quindi sei un reci...
...divo
Come stai...
Ti distingui dal luogo comune
Ti piace vivere come vuoi
E vuoi rispondere solo a te
forse non lo dici
però lo sai
che prima o poi rimani
...solo
tu non li capisci
ma tutti lo sai
hanno messo la test...a
...posto
Come stai...
Ti distingui dall’uomo comune
Ti piace vivere come vuoi
E rispondere solo a te

Como está?
Talvez não diga
porem faz
é isso não é honesto
...verdade
Talvez não diga
Porem sabe
E não vai ao para...
...iso
Talvez não diga
Porem faz
é isso não é nada
...Bonito
Talvez não diga
Porem sabe
E por isso você é um reinci...
...dente
Como está?
Se destaca em um lugar comum
gosta de viver como quer
E responde só por você
Talvez não diga
Porem sabe
Que cedo ou mais tarde pode ficar
...szinho
Você não entende
Mas todo mundo sabe
Temos a cabe..ça
...no lugar
Como está?
Se destaca do homem comum
gosta de viver como quer
E responde só por você






1 de mai de 2010

Re-creo

(de Karina Crespo)


Soy ovillo de vocales en espera
Des-nudo las voces
(suspiro)
y entrego mi alma en carne viva



24 de abr de 2010

Pixar?


Pichação não é arte. Pichação é violência, liguagem vazia, crime.
A pichação deve sim ser levada muito a sério neste tipo de sociedade (a nossa), pois é mais uma manifestação dela.
O que ela expressa, ou expressa, tudo é express!
Paris, torre... nunca seria pichada porque não existe essa necessidade.
Melhor fechar os olhos...
Ameaça é ameaça, opinião é opinião, censura é censura e democracia é ilusão.
O carioca poderia fazer uma passeata vestido de branco para lamentar o ocorrido.

O erro talvez seja ter pichado o Cristo, mas este movimento vive do erro, da ação pela perturbação.
Cristo daria a outra face? (RFeurhuber)

29 de mar de 2010

Diálogo


(não vou corrigir os erros de português, cada vez tenho menos necessidade disso, trata-se de um diálogo real entre ex trangeiros)

dificuldades... isso é mais que habitual, o mundo hoje é igual miojo
minha anciedade tá me matando....
o mundo vai acabar em 2012
o mundo não acaba segundo a minha religião
você é espirita?
não minha religião é a estatistica,
.. e tudo isso depende... de qual mundo vc esta falando???
do mundo que conhecemos, 5 continentes, varias pessoas, cheio de gente
isso pode acabar amanhã... ou não... a existencia é bem maior que isso
prá mim morreu cabô, lasko de vez. cabô todo mundo só existe o que tá vivo
mais ainda existe... influência a muito mais na vida das pessoas... muito mais do que eu ou voce!!! ou os dois juntos
mas num ta vivo
depende do que voce chama de vida... até certo ponto... vida é fazer... e eu não estou conseguindo fazer nada...
eu já acho que vida é nao fazer, por que enquanto voce faz nao ta vivendo
e quando vc tá vivendo o que acontece???
vc está vivendo
não seria o mesmo que fazer algo?
nao, isto é algo sendo feito, sem que voce possa fazer nada
então não é vc rindo.... não é vc tomando uma... não é vc nadando?
não, exato.. é a vida acontecendo
por sí só???
exato, isso é viver
então pra que viver?
se vc tem que fazer um tremendo esforço pra isso acontecer, nao é vida.. vida é o que se dá, o que acontece prá que? nao tem motivo. mas se vc tá ki só te resta viver
e como as coisas acontecem? sem um minimo de esforço??? isso é vida?
viver é um ato puramente hedonista, o resto é sofrimento por isso, nesse mundo agente sofre tanto
e o que te dá prazer... como alcançar o prazer de viver? ou prazer da vida?
não se alcança, é inerente a propria vida.. o que impede seria a pergunta
tá... então o que distancia as pessoas da vida?
agora sim... vc chegou no ponto o que distancia é a forma como escolhemos viver nesse mundo: trabalho, dinheiro, sociedade, etc
vc perdeu uma boa chance de dar um tempo logico em mim...
nao sou lacaniana
nem eu... mas seria engraçado
isso é um raciocinio meu, o que nos impede de viver sao coisas que advem da propria civilização
e como se reverte o processo da civilização???
nao ha a menor possibilidade
tá... então.... qual a possibilidade do ser humano... ou do homem... já que o humano só se reconhece dentro da civilização?
quem te disse isso?
voce tá defendendo a sua ideia.... eu posso lançar mão de qq recurso racional
mas o homem nao se reconhece dentro da civilização, muito pelo contrario, se mata na civilização
ok... a civilização é um grande incomodo na vida do ser humano.... mas onde a noção de humano foi criado? na selva? no mar? ou na propria civilização?
nem imagino, mas homem acho que foi na civilização (homem, mulher), ser humano tá na natureza
então vc tá dizendo que o humano seria o estado primitivo do homem?
primitivo nao, natural
e o que seria natural no homem? ou melhor "do homem"?
procurar o que nao faz sofrer... óbvio
"procurar não fazer"... isso dá margem ao fazer o que dá prazer!
mas o natural é nao sofrer, agente só procura em sociedade
e para não sofrer... vc tem que???? (na sociedade ou fora dela)
em sociedade nao tem como nao sofrer, uma coisa é sinonima da outra
mas existe no ser humano uma busca pelo sofrer ou não sofrer... não é isso?
nao
se existe uma busca... essa busca tem que ser feita.... então o fazer mesmo que a sociedade não exista é uma coisa de qq ser vivo
nao adianta buscar, se se vive em sociedade, se vai sofrer e pronto
não é uma questão de adiantar ou não... e sim de fazer ou não fazer... sofrer ou tentar não sofrer
nao adianta tentar nao sofrer: VAI SOFRER
mas a questão NÂO É ADIANTAR ... ou não... a questão é que como ser humano vc tenta....
tenta sim, porque é burro
e quando vc não consegue tentar?
ai ta doente de doença de civilização: panico, depressao, esquisitisse, loucura. etc
diagnostico por favor?
?
Diagnostico final: eu não consigo mais existir...
dentro ou fora da sociedade... não consigo viver dentro dela... já que não consigo trabalahr direito tb não consigo viver... pq tanto faz sofrer ou não... perdi essa dimensão
entao vc é um perfeito homem do seu século. parabens!!!
isso vendo pelo seu ponto de vista.... tratamento???
remedio, terapia, obesidade, academia de ginastica, compulsao, enfim, o que um homem normal da sua época faz para suportar viver em civilização básico
isso daria certo que eu quizesse ser um homem... e se eu não quizer??? (homem = humano dentro da civilização)
ai nao tem jeito, porque nao tem como escapar
isso tudo não responde a pergunta basica... o que fazer!!!
mas o que fazer para atingir qual objetivo?
o objetivo do ser humano?
o seu?
não não... o unico objetivo do ser humano segundo tudo que vc disse é o prazer
o seu?
bom como eu sou um ser humano vazio... meu objetivo deve ser o vazio
se é o vazio vc nao precisa fazer nada, porque ja ta no vazio
foi isso que eu quis dizer... um ciclo vicioso... que vem do vazio e vai para o vazio
sim, se é isso, nao faça nada mas é isso?
não exatamente... segundo a sua teoria é... aquela coisa do "deixa a vida me levar, vida leva eu".  mas não quero
nao é isso, é que está lutando contra algo que nao pode deixar a vida te levar pode ser uma opção, nao ha muitas
opções são feitas de possibilidades... se existe opção existe possibilidade... então não venha me falar que "etá lutando contra algo que não pode"
vc me acha pessimista demais?
só acho quea mente das pessoas precisa evoluir muito para perceber as possibilidades... e que "o homem" talvez chegue ao fim antes perceber (estatisticamente bem provavel)
isso é muito romântico nao ha muitas e se ha uma ja ta bao
acho que a barata vai conseguir achar essa solução... e vai dominar o mundo
nao, 2012! tudo acaba... aguardo ansiosamente, so preciso me convercer do que penso
isso que dá medo em vc!!!
o que?
vc se convencer do que vc pensa
esse é o meu probelma, eu penso mas nao me convenso
se convencer é o seu problema então tá facil... o duro é se convenser e aceitar afetivamente isso....
é a mesma coisa pensamento x afeto
pensar é racionalizar
e sentir?
sentir é sentir
voce pode até pensar que uma coisa existe... vc pode até mesmo se convencer... mas isso não quer dizer que vc aceitou isso como uma verdade
exatamente e porque uma coisa anda tao separada da outra. ou melhor, porque achamos se nao estamos convencidos ou nao sentimos?
então o seu problema não é se convencer é sim aceitar
entao eu nao aceito porque a parte emocional é bura e cheia de traumas e neuroses?
provavelmente.... traumas e neuroses da sociedade moderna... sua mulherzinha moderna!
vou escrever um romance sobre as possibilidades do homem moderno
puxa, vai dar 1 pagina
não se for um romance
não... bem mais.... e voce não sabe o que ia acontecer no final... quem disse que o personagem acha a possibilidade???
detesto romance mas eu compro e compro 2 um pa da di presenti
isso não enche a minha barriga... O.o
sua barriga ta sempre vazia, nao vai sentir nenhuma diferença

26 de mar de 2010

percepção 1


Mundo instantâneo.

19 de mar de 2010

na íntegra, do blog Generacion Y da cubana Yoani Sanchez


Marzo 8th, 2010

Casa de cristal


Junto da telenovela brasileira, os documentários pirateados do Discovery Channel e a chatíssima mesa redonda, coexiste uma modalidade de reportagens televisivas seguidora da saga “Big Brother”. Em nossa pequena tela assistimos cidadãos filamdos por câmeras ocultas e vemos a divulgação das mensagens contidas em suas caixas de correio eletrônico, sem que para isso tenha havido a ordem de um juiz. Como se vivêssemos numa casa de cristal inspecionada pelo severo olho do estado, até a própria empresa telefônica grava as conversas de seus clientes e as transmite para onze milhões de telespectadores atônitos.

A última modalidade desta dissecção pública é induzir médicos a falarem, violando a privacidade do falado numa consulta - fato tão grave como o do sacerdote que revela os segredos da confissão - dos pormenores de um caso médico. Saem fotos do interior das casas e dos refrigeradores de quem tenha ousado contrariar a opinião oficial, enquanto o paparazzi e o policial político se fundem num só personagem muito próximo ao do voyer. Não me causaria estranheza que em algum dossiê - esperando por vir à luz - apareça o corpo nú de um inconformado, como se estar desnudo fosse a prova irrefutável de sua “maldade”.

Imagens tiradas de contexto, frases editadas e ângulos desfavoráveis para gerar aversão na opinião pública, são algumas das técnicas com que se constroem estes informes televisivos. Em nenhum deles se entrevista a “vítima”, pois assim evitam que a audiência pública comprove que divide com ela as opiniões críticas. Para má sorte dos grosseiros produtores deste tipo de reality show, a tecnologia em mãos cidadãs começou a tornar transparentes também as paredes de suas vidas. Depois de havermos sido observados longamente, agora comprovamos que há um buraco para olhar o outro lado da cerca.

(Traduzido por Humberto Sisley de Souza Neto)



17 de mar de 2010

O nome das coisas




Em uma sucessão de coincidências, eu diria que freudianas, li o livro do Juliano Garcia Pessanha, Certeza do Agora, assisti A Fita Branca de Michael Haneke (que também fez o belíssimo A Professora de Piano), li a entrevista do Mirisola e achei um comentário da Marcia Tiburi sobre o livro lido do Pessanha.
Cadeia confusa? nem tanto...

"O que é, pois, uma HETEROTANATOGRAFIA? Se a autobiografia é narrativa pessoal, autoconstruída, a heterotanatografia é o seu contrário: a morte de alguém narrada pelo outro. No entanto, sendo o próprio autobiografado a narrar o que nega sua própria condição de autobiografado, surge a pergunta: o que seria a escritura da morte de alguém narrada pelo outro quando este outro é o próprio sujeito narrador e o próprio objeto sobre o qual se narra algo. Em outras palavras: que lugar paradoxal é este de um sujeito que se faz objeto, de um mesmo que se faz outro, de um outro que se faz mesmo?" (Marcia Tiburi)

A leitura de Heterotanatografia é densa, nó no lugar-garganta. Pela delicadeza da itimidade, como bem disse Tiburi, prefiro não comentar, como disse para Mirisola, pelo mesmo motivo os quais prefiro não ler as cartas não endereçadas a mim.


Poema do Amor Consumado
(Juliano Garcia Pessanha)

Tendo morado na dor do não-acontecido e tendo
visto os casais de mentira vagarem pela orla de uma
praia cujas ondas jamais quebravam, pude compreen-
der que só poderia desaparecer na areia de todos os
fins se tivesse alcançado a condição de espuma.



"Só a narrativa pode salvar a alma vendida, perdida, abandonada na esteira do nada ao qual somos cotidianamente lançados em dias feitos desvãos daquela dor que em Schopenhauer assumiu um nome tão simples: dor de existir. Narrar é elaborar e, mais fundamente, “perlaborar” como falava Freud, é permitir que a forma mais funda da experiência se exponha por meio do único modo pelo qual ela pode nascer: a palavra." (Marcia Tiburi)

Michael Haneke, disse sobre seu filme:
“ É um filme sobre as raízes do mal. É sobre um grupo de crianças, que são doutrinadas com alguns ideais e se tornam juízes dos outros – justamente daqueles que empurraram aquela ideologia goela abaixo deles. Se você constrói uma idéia de uma forma absoluta, ela vira uma ideologia. E isso ajuda àqueles que não têm possibilidade alguma de se defender de seguir essa ideologia como uma forma de escapar da própria miséria... Sempre há alguém em uma situação de grande aflição que vê a oportunidade, através da ideologia, para se vingar, se livrar do sofrimento e consertar a vida. Em nome de uma idéia bonita você pode virar um assassino.”




pronto. amarrado.

um senhor escritor: Marcelo Mirisola

em entrevista para Cronópios (http://www.cronopios.com.br/site/artigos.asp?id=4457)
é por isso que eu gosto tanto desse cara:

"Alguma coisa está muito errada quando madame, em vez de gastar suas tardes num shopping comprando sapatos, perde seu tempo ouvindo um viadinho falando de Schopenhauer na Casa do Saber. Eu acredito, inclusive, que essa é a explicação para a onda de terremotos, tsunamis e enchentes que temos sofrido nos últimos dias. A natureza tem de reagir de alguma maneira, você não acha? "



12 de mar de 2010

Chuva


me molho, de quase encolher
pele enruga saindo do imenso mar

nenhuma dor é igual.

17 de fev de 2010

No caos, sempre a poesia

(love is danger by NoDate)


Vidas que, mesmo ligadas, não se relacionam.



(pag. 565 de O Manto de Marcia Tiburi)